domingo, 10 de janeiro de 2010

Do estar só

É difícil perdoar você pela falta que faz. Meus problemas estão se acumulando desde que me deixastes, e não tenho a quem pedir conselhos. Ainda não aprendi a seguir em frente sozinha. Ainda não me adaptei à saudade, à falta, à ausência do carinho. O mundo não entrou em recesso pela partida e nem viveu teu luto. Ele simplesmente seguiu em frente e me carregou sem que eu tivesse tempo de respirar. Sinto náuseas pelo movimento do mundo e passei a odiar pessoas felizes. Para mim, elas não passam de seres fúteis e superficiais que não entendem o quanto o mundo é cruel e o quanto a vida é difícil. Só assim para conseguir sorrir na maior parte do tempo. Prefiro me voltar para mim, sabe vô? Só aqui dentro ainda posso te encontrar. Aqui, você ainda vive. Aqui, eu ainda sou eu. Só aqui não divido espaço com a multidão que cria a solidão.