quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Inversão

Vô, não tenho conseguido me equilibrar. Não tenho gente, fio e nem corda em que me apoiar. Não tenho você segurando a minha mão e dizendo para ter paciência e esperar as coisas se resolverem. Viraram o mundo de ponta cabeça e me esqueceram ali: girando, com os pés teimando em obedecer as leis da física. O mundo parou, e eu nem posso descer! Então eu fico tentando me distanciar das preocupações e entendendo o quanto é difícil a vida dos nossos pais quando estamos começando a amadurecer, quando temos sede do que a gente pensa que é a vida. Hoje eu me sinto um pouco (ou muito) mãe dos meus pais. Isso porque o senhor não está mais aqui para lhes puxar as orelhas e pôr de castigo ajoelhados no milho. Eu, que sempre achei primitivas essas tuas atitudes, hoje lamento não ter autoridade para fazer igual.

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